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25 de julho de 2016

Pós-impeachment, Temer e Lula devem conversar



Quem conversa reservadamente com Lula e Temer vê disposição nos dois políticos para que tenham um encontro, caso seja aprovado em definitivo o impeachment de Dilma, como é a tendência.

O ex-presidente Lula está cumprindo um papel político de defesa de Dilma, mas não acredita que a sucessora tenha chance real de evitar a perda do mandato.

Na visão de Lula, Dilma errou na política e na economia. Para o petista, o presidente interino, Michel Temer, está acertando no atacado nas duas áreas, porque colocou Henrique Meirelles na Fazenda, o que foi sugerido por Lula a Dilma inúmeras vezes, e porque fechou um acordo efetivo com a maioria do Congresso.

Já Temer tem esperança de que, aprovado o impeachment, Lula se concentre na preservação de seu cacife político e na luta para evitar uma condenação jurídica na Lava Jato. O presidente interino faria um gesto para sinalizar disposição de diálogo e amenizar o bombardeio do petista contra ele.

Portanto, há interesse e espaço da parte de Lula e Temer para, pelo menos, diminuírem a intensidade da guerra política.

A relação entre Dilma e o PT não é boa. Ela não tem uma vida partidária real. No domingo, por exemplo, não foi ao lançamento da candidatura à reeleição do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

A resposta de Dilma sobre a confissão do marqueteiro João Santana de que houve um pagamento de dívida de campanha de 2010 por meio de caixa 2 deve piorar a relação entre ela e o PT. Santana e a mulher dele, Monica Moura, responsabilizaram diretamente o então tesoureiro do PT, João Vaccari, pelo pagamento de caixa 2. Disseram que foi a única forma que o PT ofereceu para quitar a dívida.

Dilma afirmou que, se teve caixa 2, ela não sabia. Jogou a culpa para auxiliares e o PT, mas, nos bastidores, apontou para o ex-tesoureiro do PT. Isso complica muito a vida de Vaccari, que está preso em Curitiba.

João Santana, pelo papel de destaque nas campanhas petistas, produziu uma prova testemunhal de peso contra Vaccari, o que alimenta temores no PT de que ex-tesoureiro do partido faça delação premiada. A confissão de Santana e a resposta de Dilma tendem a aumentar o isolamento político de Vaccari.

Até hoje, o PT sustentou que as doações eleitorais que recebeu foram todas legais e nunca representaram percentual de propina de contratos públicos. Se Vaccari admitir que legalizou propina de obras federais via doação eleitoral ou que intermediou pagamentos de caixa 2, será dinamite pura contra o PT e seus principais dirigentes políticos.


Fonte: Blog do Kennedy

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