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24 de maio de 2016

Medidas econômicas e articulação no Senado são prioridades de Temer



Medidas econômicas concretas e articulação no Senado para manter apoio ao impeachment são prioridades do presidente interino, Michel Temer.

Temer pretende começar a dar respostas hoje na política e na economia: votar a nova meta fiscal, retomar o ritmo de votações no Congresso e anunciar medidas de combate à crise econômica.

A principal delas será destinar no médio prazo mais de R$ 100 bilhões para abatimento da dívida pública. A maior parte desse dinheiro virá do pagamento da dívida do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com o Tesouro. Nos últimos anos, o governo Dilma fez repasses do Tesouro ao BNDES, a fim de aumentar o poder do banco de emprestar. Agora, haverá um movimento de enxugamento.

Temer vai bancar a proposta de limitar o crescimento dos gastos públicos, estabelecendo um teto, e deverá ampliar a ideia de desvincular os gastos obrigatórios. Além de fazê-lo para a União, pretende propor também para Estados e municípios.

Outra resposta importante será reforçar a articulação direta com senadores. Só hoje, Temer pretende receber três senadores no Palácio do Planalto: Romário, do PSB do Rio de Janeiro, Antonio Carlos Valadares, do PSB de Sergipe, e Eduardo Amorim, do PSC de Sergipe.

Houve 55 votos pelo afastamento de Dilma. Para aprovar o impeachment em definitivo, é preciso ter 54 votos. Temer quer ter uma margem de segurança. Nesse contexto, ela avalia que precisa dar respostas na economia e na política e amarrar bem os apoios no Senado. A última batalha pelo poder será travada no Senado e não no Supremo Tribunal Federal. O presidente interino sabe disso.

Ilusão petista
Tende a zero a possibilidade de o STF (Supremo Tribunal Federal) anular o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff. Deputados e senadores petistas passaram a defender essa tese após a divulgação da conversa na qual o senador Romero Jucá (PMDB-RR) sugere ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado um “pacto” para derrubar Dilma a fim de delimitar investigações da Lava Jato.

Para anular o impeachment, teria de ficar provado que a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal agiu em conluio com um grupo de políticos para derrubar Dilma. Um ministro ou outro pode ter tido uma conversa de bastidor nesse sentido, mas não a maioria dos 11 integrantes do Supremo.

Sem dúvida, um desejo de frear a Lava Jato inspirou políticos a tramar contra Dilma. Ela sofreu um golpe parlamentar, no qual o impeachment foi usado como um voto de desconfiança do sistema de governo parlamentarista a fim de tirar do poder um governo ruim. Houve uma rebelião na base de apoio dilmista na Câmara e no Senado. Mas esse golpe parlamentar aconteceu por várias razões.

A principal foi a incapacidade de Dilma de dar uma resposta efetiva à crise econômica. Outro motivo de peso foi a inabilidade política ao lidar com partidos conservadores e que teve, como consequência, a perda de base de apoio no Congresso.

A queda de Dilma se deve mais a erros dela e do PT do que aos acertos ou a tramas dos adversários. Foi isso o que aconteceu no Brasil. A responsabilidade maior pela perda do poder é da presidente afastada. Nos últimos dois meses, Dilma fez gestos à esquerda. Redescobriu movimentos sociais que desprezou durante cinco anos. Antes, ela priorizava os mesmos conservadores que apoiam Temer.

Colocar freio na Lava Jato é um desejo que tem derrubado aqueles que se arriscaram a verbalizá-lo em conversas reservadas que depois vieram a público. Abafar a investigação é uma mercadoria que nenhum político entregará.

A Lava Jato chegou a um ponto em que não é possível interferência política, econômica ou jurídica para arrefecer seu ânimo de investigação e punição. Temer já entendeu isso.

O presidente interino permitiu que Jucá desse uma entrevista ontem como um último gesto de defesa, mas ciente de que teria pouco resultado e de que ele deveria sair do ministério. O episódio de Jucá mostra que outros ministros de Temer devem ficar preocupados, porque poderão ter o mesmo destino. E reforça mais uma vez a lição de que é inútil lutar contra a Lava Jato fora dos autos e na sombra.


Fonte: Blog do Kennedy

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