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17 de abril de 2016

Câmara aprova impeachment e deixa governo Dilma por um fio



São Paulo – Contrariando expectativas de uma votação acirrada, a Câmara dos Deputados acaba de aprovar a continuidade do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

A votação ainda não terminou. Mas 342 deputados (que é o mínimo necessário para aprovar o impeachment na Casa) já votaram pelo prosseguimento da ação.

Até o momento, (entre votos, abstenções e ausências) o governo contabiliza apenas 135 pontos contrários - 37 a menos do necessário para barrar o processo. 

A votação de hoje foi marcada por uma série de traições de parlamentares da base aliada e garantiu à oposição uma larga vantagem sobre o governo desde o início da sessão. 

Dos 25 partidos com representantes na Casa, 17 orientaram seus filiados a votar pela aprovação do impeachment.

Apenas 6 siglas (PT, PR, PCdoB, PSOL, PDT e PTdoB) defenderam a manutenção do governo Dilma. Rede e PEN liberaram sua bancada para votar conforme a consciência. 

A decisão dos partidos não foi suficiente para impedir votos desfavoráveis ao governo. A onda de traição rendeu até a renúncia do o deputado Alfredo Nascimento (PR-AM) à presidência do partido. Ele, que foi ministro dos Transportes dos governos Lula e Dilma, contrariou a decisão da sigla ao apoiar o impeachment no Plenário. 

A maior de todas as derrotas – até agora
É exatamente graças a problemas de conciliação com sua base que a presidente Dilma Rousseff (PT) convive, desde dezembro do ano passado, com a possibilidade de ver seu mandato abreviado.

Foi um membro do então principal partido aliado do governo - o presidente da Câmara, Eduardo Cunha - que partiu a iniciativa de aceitar o pedido de impeachment protocolado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr e Janaína Paschoal.

Em tempo: a decisão de Cunha aconteceu poucas horas depois do PT definir votos contra o peemedebista na Comissão de Ética da Casa.

Desde então, o governo fez de tudo para aplacar tal sina.
Recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), renegociou vantagens com a base aliada, escalou governadores e até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mesmo sem assumir o cargo de chefe da Casa Civil, tem coordenado, de um hotel de luxo em Brasília (DF), a força-tarefa para barrar o impeachment.

O resultado da votação de hoje conclui um ciclo de derrotas para o governo e a conduz ainda mais enfraquecida para o debate no Senado - com uma base aliada desfalcada e a credibilidade em xeque.

Muitos deputados favoráveis ao fim do mandato da presidente aproveitaram o microfone do plenário nos últimos três dias para reclamar da falta de traquejo político que definiu os seis anos do governo Dilma.

As queixas não poderiam ser mais pertinentes. Para além das pedaladas fiscais ou abertura de créditos suplementares, foi uma articulação política desastrada que conduziu a petista para o cenário atual. 

“[O processo de impeachment] é também uma ruptura com esse governo que não soube negociar”, afirma Humberto Dantas, professor do Insper e consultor da 4E Consultoria.



Fonte: Exame.com

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