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15 de março de 2016

Um Lula só não faz verão



A entrada de Lula no governo Dilma Rousseff é uma manobra arriscada e poderá incendiar ainda mais o debate político. Mas a presidente e o PT avaliam que não têm outra opção.

Após as manifestações de domingo, com a maioria do PMDB rumando para os braços da oposição e uma presidente sem capacidade de reação na economia, a única aposta é que Lula consiga reorganizar o governo. Mas há riscos e obstáculos. Pode dar errado. Pode ser tarde.

Os próximos passos da Lava Jato são preocupantes para o PT, Lula e Dilma. Haverá a imagem de fuga do ex-presidente das investigações da operação em Curitiba assim que ele obtiver foro privilegiado e passar a responder às acusações perante o Supremo Tribunal Federal.

Outro risco está na economia: foi ruim a reação do mercado financeiro na tarde de ontem à possibilidade de o petista ser ministro. O dólar passou a subir. E a Bolsa, a cair.

Seria um tiro n’água Lula entrar no ministério sozinho, sem trazer para a Fazenda alguém com credibilidade perante o mercado e ainda aplicar a receita econômica que o PT anda defendendo publicamente. Seria a receita do fracasso.

Quando virou presidente, Lula soube dar importância à política fiscal a fim de abrir espaço no orçamento para programas sociais _para colocar os pobres no orçamento, como ele diz.

A política fiscal foi destruída por Dilma. Será preciso reconstruí-la, como tem defendido o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.

Mais: Lula não tem a mesma força da época em que deixou o governo. Perdeu capital político e está na mira da Lava Jato. Uma entrada dele no governo teria de estar combinada com uma boa largada na área econômica.

Um Lula só não faz verão.


POR: KENNEDY ALENCAR 
BRASÍLIA

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