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7 de março de 2016

Papo magro

Arimatéia Azevedo
No Brasil se criou uma série de ideias falsas como uma nota de três reais. Uma dessas ideias é a tal “sensação de segurança”. O que vem a ser isso? Sentir-se seguro é algo possível, mas segurança é uma coisa objetiva: uma cidade ou é segura ou não é segura. Não existe esse negócio de “sensação de segurança”. Se faltam policiais ou se a polícia atua de modo ineficiente por razões logísticas – que inclui desde falta de equipamentos até jornadas de trabalho cada vez menores – então há mais insegurança para as pessoas. Isso é um fato mensurável objetivamente. Surgem, então, os “jênios” da análise para dizer coisas como ver na mídia a culpa pela “sensação de insegurança”. O que se precisa mesmo é de mais policiais nas ruas, com patrulhamento motorizado e capacidade de abordagem de suspeitos sem o viés do preconceito – uma marca registrada negativa do aparelho de segurança do Estado, que a priori considera bandido qualquer cidadão pobre e negro que esteja ao alcance de sua visão. Portanto, segurança pública – como saúde e educação – faz-se é com gente qualificada, trabalhando na sua atividade principal, sem os conhecidos desvios de função, sem o corporativismo que amplia o absenteísmo e reduz o tempo de trabalho. Segurança, como saúde e educação, faz-se com investimento em inteligência, pesquisa e tecnologia, não com palavras vãs como essa repetição pascácia de que se está trabalhando para “aumentar a sensação de segurança da população”. Esse tipo de conversa fiada é o que os outsiders da periferia da cidade chamam de “papo magro”.


Fonte: Portal AZ

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