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24 de fevereiro de 2016

Prisão de marqueteiro empolga oposição, que passa a apoiar atos pró-impeachment

Partidos de oposição esperam aumentar a adesão aos protestos de 13 de março
Os partidos de oposição ao governo Dilma Rousseff anunciaram pela primeira vez o apoio oficial às manifestações contra a presidente.
E se oficialmente a mudança de postura é justificada pelo "agravamento da crise política, econômica, social e moral" no País – conforme alegam PSDB, DEM, PPS, PV e Solidariedade em comunicado divulgado nesta terça-feira (23) –, na prática, a adoção da nova estratégia tem outro motivo: a prisão do marqueteiro João Santana.
Conselheiro pessoal de Dilma desde o primeiro mandato da presidente e apontado nos bastidores como 'ministro da propaganda' do governo, o publicitário preso na nova fase da Operação Lava Jato se tornou uma poderosa arma para aqueles que fazem campanha contra a petista.
"É evidente que a prisão dele pesou na decisão. Não pudemos deixar passar, porque isso causou impacto não apenas nos partidos da oposição, mas também na sociedade como um todo", afirma o presidente nacional do PPS, Roberto Freire.
Apesar de o juiz federal Sérgio Moro já ter ressaltado que não há indícios de que a campanha de Dilma Rousseff pagou o publicitário com dinheiro de propina, o deputado Antônio Imbassahy (BA), líder do PSDB na Câmara, acredita que esse novo fator poderá pesar contra a presidente na ação que está sendo analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Nesta terça-feira, os líderes dos partidos de oposição se reuniram no Congresso para discutir os próximos passos do grupo, o que deverá incluir a criação de um "comitê nacional pró-impeachment" – com CPNJ e tudo – para promover o discurso anti-Dilma pelo País."O próprio juiz Moro disse que foi usado dinheiro do petrolão em campanhas. É evidente que ele não iria cravar nada [ao falar da prisão de Santana]. Já há provas fartas dentro desse processo no TSE que dão uma indicação muito segura de que houve sim irregularidades", aposta o deputado.
PSDB, DEM, PPS, PV e Solidariedade prometem conversar com os organizadores 'oficiais' do protesto agendado para 13 de março para descobrir a melhor forma de contribuir com a manifestação.
Até a prisão do marqueteiro do PT, o apoio de partidos aos protestos convocados pelos grupos Vem pra Rua, Movimento Brasil Livre (MBL) e Revoltados Online, nunca teve caráter institucional.
Individualmente, no entanto, diversos parlamentares da oposição ao governo já participaram espontaneamente dos atos pró-impeachment – com destaque para o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB que é venerado por dez em cada dez manifestantes anti-Dilma.
A esperança dos opositores da presidente é que a nova fase da Operação Lava Jato, aliada ao apoio dos partidos, renove a força das manifestações, que vinham em franco declínio desde sua primeira edição, realizada em março do ano passado.
Prisão de João Santana, marqueteiro do PT, reacendeu discurso pró-impeachment de Dilma
Para o presidente do PPS, a prisão de Santana pode "colocar em marcha" o pensamento de revolta "que parecia estar meio parado" no País.
"Ele [Santana] é intimamente ligado ao governo. Estava junto de Dilma não apenas na eleição, mas também em todos os pronunciamentos da presidente. O governo vende a ideia de que o impeachment saiu da ordem do dia, mas não saiu", declara Freire.
"A manifestação de dezembro foi menor porque ocorreu em uma época do ano desfavorável. Mas nessa de agora eu confio. É difícil prever se será maior ou menor que outras, mas que vai ser boa, vai", projeta Imbassahy.
Para fazer com que, de fato, o protesto tenha grande público, o discurso adotado pelos partidos ao convocar militantes e simpatizantes tem tom de ameaça. Em documento assinado pelos presidentes das cinco legendas, a mensagem é "ou você vai ou ela fica!".
Se no papel o discurso é um só, é notável que os adversários políticos do PT também não faltaram ao ensaio presencial: ao longo das entrevistas de Roberto Freire e de Antônio Imbassahy ao iG, os parlamentares repetiram as mesmas expressões ao comentar a prisão de João Santana: "impacto", "chocante" e "intimidade com o governo".

Fonte: Ig.com

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