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18 de fevereiro de 2016

Bebê que precisa de coração no PR tem melhora e sai do coma induzido

Isabella já consegue abrir os olhinhos, segundo a mãe (Foto: Fabiola Beller/Arquivo pessoal)
A bebê de cinco meses de Curitiba que precisa de um coração novo para viver, Isabella Fuentes Silva, apresentou melhora nos últimos dias. De acordo com a mãe, a farmacêutica bioquímica Paula Heidy, de 35 anos, a filha saiu do coma induzido e o quadro de saúde é estável. A menina segue internada no Hospital Pequeno Príncipe.

Na quarta-feira (17), ainda segundo Paula, os médicos tiraram o dreno porque os rins da bebê voltaram a funcionar. "A Isabella só continua sedada porque não pode ficar agitada, isso prejudicaria o coração, que também já está mais fortinho. Mas, pelo menos, ela já voltou a abrir os olhinhos", comemora."Agora, estou cheia de esperança. Antes, estava com a sensação de que ela não iria resistir. O fato de permanecer estável me dá mais esperanças de que a Isa vai aguentar a vinda do novo coração", confessa.
Isabella sofre de miocardiopatia dilatada (Foto: Paula Heidy/Arquivo pessoal)
A história de Isa
Isabella sofre de miocardiopatia dilatada, doença provocada por um vírus e que enfraquece o músculo do coração. A menina está internada no hospital há cerca de três meses, desde que a doença foi diagnosticada.
Paula, de 35 anos, e a filha Isabelle, de 5 meses (Foto: Paula Heidy/Arquivo pessoal)
Paula, de 35 anos, e a filha Isabelle, de 5 meses
(Foto: Paula Heidy/Arquivo pessoal)
"Os sintomas foram aparecendo, mas nós, pais de primeira viagem, nem desconfiávamos de um problema cardíaco. Ela não ganhava peso e nem conseguia mamar no peito. Cansava fácil e era pálida", relata.

Ainda de acordo com a mãe, os pediatras não conseguiram identificar a doença a princípio. Até que um dia, durante um banho de ofurô, que era para ser uma atividade relaxante, a bebê passou mal. "Em vez de relaxar, ficou roxa, chorava sem parar e desmaiou", lembra. Paula conta que ficou desesperada e que ela e o marido fizeram até mesmo massagem cardíaca.

Foi aí que os pais internaram a criança. Isabella passou por vários exames até o diagnóstico da doença. Os remédios do tratamento acabaram não fazendo efeito e, desde então, a menina segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Pequeno Príncipe, à espera de um coração novo.

No fim de janeiro, o estado de saúde da bebê se agravou. Com o coma induzido, o coração ficou ainda mais fraco e já não conseguia mais bombear sangue para todo o corpo. Por conta disso, o fígado e o pulmão também falharam; foi necessário fazer diálise e entubar.

Para a mãe, a melhora dos últimos se deve, além dos cuidados médicos, às orações que as pessoas têm feito pela bebê. "É um milagre. Estamos bem confiantes. Somos gratos pelo apoio de todos", agredece.

No domingo (21), os pais realizam mais uma panfletagem em Curitiba para conscientizar sobre a importante da doação de órgãos. A ação ocorre no Parque Barigui, em frente à Casa Amarela, a partir das 10h. A campanha de conscientização na internet também continua, inclusive com a participação de famosos, como o ator Alexandre Nero.
Panfletagem ocorre no Largo da Ordem (Foto: Sérgio Tavares Filho/G1)
A doação
Paula explica que têm sido difícil encontrar um doador com a faixa etária e peso (em torno de cinco quilos) semelhantes aos da bebê. "O doador também precisa ter tido morte encefálica. Em casos assim, os órgãos continuam funcionando normalmente. Acredito que seja difícil aceitar a doação porque os pais olham o coraçãozinho batendo e ainda têm esperança", afirma.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde do Estado, no ano passado, foram registradas 795 mortes encefálicas no Paraná.

A morte encefálica é a interrupção irreversível das atividades cerebrais. Ela é, geralmente, causada por traumatismo craniano, tumor ou derrame e dificilmente há dúvidas no diagnóstico. A avaliação sempre é realizada por dois médicos de áreas diferentes que examinam o paciente e realizam exames para comprovação, conforme a secretaria.

Ainda de acordo com dados do governo, das 795 mortes encefálicas, houve doação de órgãos em 300 casos. Nas outras situações, as famílias optaram por não doar. Entre a parada cardiorrespiratória ou alguma outra condição clínica, o motivo mais frequente para que não seja feita a doação tem sido a recusa dos parentes.

Para a Central Estadual de Transplantes, muitas famílias recusam a doação de órgãos por não compreender ou não acreditar na morte encefálica.

"Por isso, acho importante fazer toda essa conscientização sobre a morte encefálica e a doação de órgãos: para aumentar a possibilidade de vida da Isa e de muitos outros doentes. A morte de uma pessoa pode salvar a vida de pelo menos 10. E é isso que as pessoas precisam entender", reforça a mãe.



Fonte: G1

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