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29 de dezembro de 2015

Sem energia, Piauí perde oportunidades

Cláudia Brandão
Ontem, em pleno horário das 17h30, uma grande loja de supermercado da zona leste estava fechada por falta de energia. O vigilante informava aos clientes que chegavam que até mesmo o gerador, de tanto ser solicitado nas últimas semanas, também havia pifado, o que  obrigou o gerente a fechar as portas do estabelecimento em uma data próxima ao reveillon, quando as pessoas procuram os supermercados para comprar os produtos da ceia da virada do ano.
Na filial da mesma rede, algumas quadras depois, assisti a um diálogo indignado na fila do caixa. Uma professora universitária nascida em São Paulo, e atualmente residindo em Teresina, falava em alto e bom som para quem quisesse ouvir que iria fazer o caminho de volta para a capital paulista. A professora reclamava, com justificada razão, que não suporta mais ficar sem dormir a noite inteira, por causa do calor. Sem energia, ela não tem como ligar o aparelho de ar condicionado.
Logo atrás, um senhor, em tom mais baixo, reafirmava o mesmo propósito. Ele disse que também está pensando seriamente em mudar-se de Teresina porque, segundo ele, não é mais possível viver sem energia, com prejuízos constantes por danos nos aparelhos eletroeletrônicos.
Se os cidadãos comuns já não suportam mais, imagine os empresários que dependem da energia para produzir, gerar riqueza e empregos, e pagar os impostos que sustentam o Piauí. Estes já não sabem mais a quem recorrer. Na penúltima semana, a interrupção no fornecimento de energia levou os proprietários de bares e restaurantes à beira da loucura. Muitas confraternizações agendadas com antecedência foram predujicadas porque não havia luz para que os clientes pudessem festejar  com os amigos no restaurante.
Em todos os setores, há reclamações constantes por conta dos prejuízos físicos e materiais provocados pelo péssimo serviço de energia fornecido no Piauí. Os turistas que foram aproveitar as belezas da praia de Barra Grande amargaram longas 12 horas sem luz, que não fosse a do sol. Aí vem a pergunta inquietante: onde está a ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica - que não regula, nem fiscaliza, e muito menos pune a  ELETROBRÁS por não prestar um serviço de qualidade? O Piauí precisa levantar a voz para protestar e se fazer ouvido diante deste gravíssimo problema.
Às vezes, chego a pensar que, de tanto insistir, a ELETROBRÁS vai acabar conseguindo quebrar esse Estado. Afinal, quem vai querer investir e produzir em um lugar onde não há energia elétrica?


Por: Cláudia Brandão / Cidade Verdade

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