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24 de novembro de 2015

Padre cede paróquia para evangélicos e cria polêmica em MG

Em meio à tragédia do tsunami de lama de rejeitos de mineração da Samarco, a atitude inusitada de um padre da região atingida pelo desastre tem chamado a atenção. Pároco da Igreja de São José, da cidade de Barra Longa, a 60 Km de Mariana, Wellerson Magno Avelino, de 39 anos, abriu as portas de sua paróquia para cultos de outras religiões, sobretudo a Batista, que teve templo parcialmente destruído.
Depois da tragédia, evangélicos fazem culto na Paróquia São José
Divulgação
Depois da tragédia, evangélicos fazem culto na 
Paróquia São José
Fotos de um dos cultos circulam pelas redes sociais e dividem opiniões e causam polêmica. Embora a maioria dos internautas louve a iniciativa de Wellerson, que recebeu apoio de sua arquidiocese, fiéis e até alguns padres da própria Igreja Católica, e evangélicos, o criticam.
Nas fotos, o interior da Igreja de São José está sem imagens de santos, retiradas provisoriamente. Devotos batistas aparecem orando e abraçados ao padre.

Padre Marcelo Tenório usou seu blog para reclamar. “Lamentável. A fé não se negocia, a verdade não pode ser obscurecida por nada, nem tão pouco pela solidariedade”, postou Tenório. O bispo anglicano Josep Rossello, que publicou as primeiras fotos, disse que “em momento de tristeza e dor, a missão como cristãos e filhos do mesmo Deus, é acolher uns aos outros. O padre Wellerson está de parabéns, pois faz o bem sem olhar a quem”, justificou.

Danos
Há seis anos e meio à frente da Paróquia de São José, padre Wellerson disse ontem ao Dia, por telefone, que não está incomodado com questionamentos. “Nossa igreja está de portas abertas, servindo de base para a atuação de voluntários de diversas partes do país, inclusive de outras religiões. Fizemos um culto ecumênico dias atrás que ajudou a manter a serenidade num momento muito difícil. O verdadeiro cristão é aquele que acolhe seus filhos, seja de onde for e em qualquer circunstância”, afirmou.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou na segunda-feira (23) que ao menos 900 hectares de flora foram dizimados em Minas Gerais em razão do desastre em Mariana. O monitoramento no estado ainda não foi concluído. “Só em Minas Gerais, o Ibama já fez um laudo, e só de impacto em vegetação são mais de 900 hectares de destruição. Nós temos de medir hectare por hectare e fazer fotografias comparando com imagens de satélite o que era antes e o que é hoje”, disse a ministra, que sobrevoou ontem a foz do Rio Doce. Segundo Izabella, a onda de resíduos já alcança dez quilômetros ao longo da costa do Espírito Santo e de um a 1,5 quilômetro mar adentro.


Fonte: O DIA / via Ig.com

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