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14 de setembro de 2015

Congresso já resiste à nova CPMF



A proposta de recriar a CPMF, anunciada pela equipe econômica nesta segunda-feira, já enfrenta resistência no Congresso Nacional.

Nos bastidores, lideranças políticas dizem que a aprovação de um novo “imposto do cheque” será inviável.

Em viagem à Russia, o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), foi comunicado do novo esforço fiscal pelo ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil). Temer é contrário à recriação da CPMF. Há duas semanas, ele alertou ao governo de que a medida não passaria pelo Congresso.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que dificilmente a nova CPMF será aprovada. Afirmou ainda que o redução de R$ 26 bilhões no Orçamento Geral da União de 2016 é um “pseudo corte”.

A reação de Cunha retrata a piora da relação da presidente Dilma Rousseff com o PMDB.

Como a maioria das medidas anunciadas nesta segunda-feira depende de negociação, o papel do PMDB será fundamental. O Palácio do Planalto também precisará se entender com o funcionalismo público, com o empresariado e com os demais partidos.

O governo anunciou que pretendia recriar a CPMF no final de agosto. Lançou um balão de ensaio, mas, como houve uma reação contrária forte, arquivou temporariamente a ideia.

Depois de o Brasil perder o grau de investimento, o governo argumenta que o novo imposto será necessário para recuperar a responsabilidade fiscal.

Nos últimos dias, Dilma foi muito cobrada a apontar soluções para a crise econômica. Tanto que, depois de enviar um orçamento deficitário ao Congresso, o governo anunciou um corte de R$ 26 bilhões. Ou seja, a medida já poderia ter sido tomada antes, o que evitaria a redução da nota do Brasil pela Standard and Poor’s.

Foi a política econômica aplicada pela presidente Dilma que resultou na crise política e econômica. Portanto, a responsabilidade do governo é grande. Mas o Congresso também precisa agir com equilíbrio para que a situação do país não piore.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi muito claro ao dizer que as medidas propostas pelo governo são uma “ponte” para garantir a responsabilidade fiscal. Todos têm de fazer sacrifícios para atravessar essa ponte.

Uma rejeição completa às medidas anunciadas nesta segunda ou a desconfiguração das propostas, a exemplo do que ocorreu no ajuste fiscal, não serão ruins só para o governo. Mas para todo o país.



Fonte: Blog do Kennedy

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