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22 de setembro de 2015

Artigo: A sociedade e o setor produtivo nacional não podem pagar essa conta

O conjunto de medidas propostos pelo governo federal para conter a crise e criar condições para o crescimento da nossa economia estão na contramão do conjunto da sociedade. Uma lição simples, na qual todos nós nos baseamos quando falamos em fazer economia, cortar gastos, é a de que temos que fazer primeiramente em nosso próprio orçamento, que aí incluem reduzir despesas pessoais e domésticas.
E o que assistimos diariamente nos veículos de comunicação, é que o governo federal tem tido uma ação pouco determinante nesse aspecto de cortes mais profundos, como a redução de ministérios, por exemplo. A partir desse aspecto, é possível entender porque das dificuldades encontradas pelo governo Dilma Rousseff para aprovar via Congresso, as medidas propostas.
O setor industrial brasileiro, responsável pela geração de milhões de empregos pelo país afora, é dos mais prejudicados caso as medidas do governo se concretizem. Para ilustrar de forma clara os prejuízos dessas medidas, entidades do Sistema Indústria, que são responsáveis pela qualificação de pessoas em diversas áreas para o setor, como CNI, SENAI, SESI, IEL, perderão R$ 4,1 bilhões, o que representa 52% do seu orçamento - um corte, repetimos, que se aprovado, inviabiliza de modo avassalador às ações do Sistema Indústria em todo o país.
Em dados específicos, para ficar ao alcance de um raciocínio rápido do poder destruidor dessas medidas, esses cortes vão causar o fechamento de 1,8 milhão de vagas em cursos oferecidos pelo SENAI por ano; o fechamento das portas em todo o país de 300 escolas do SENAI;735 mil alunos vão deixar de estudar o ensino básico ou na educação de jovens e adultos do SESI, que terá que fechar também, 450 de suas escolas país, e que para arrematar, terão que demitir cerca de 30 mil trabalhadores igualmente em todo o país.
Há uma avaliação de que os prejuízos para os trabalhadores e para a indústria serão muito maiores. A soma da redução na transferência da contribuição, segundo pretende o governo, o SESI terá de arcar com o benefício tributário dado às empresas que investem em educação e tecnologia. A expectativa nesse caso, é de que retire 1,8 bilhão da receita do Sistema Indústria.
E ao governo que caberia uma atitude mais determinante e de maior envergadura nos cortes, não se vê isso. O ajuste não impõe ao governo nenhuma restrição que se impõe a sociedade e as empresas que serão obrigadas a conviver com a recessão.
Eis, pois um quadro gravíssimo para a economia do Brasil.
Como representante do setor industrial em nosso Estado, reafirmo o que propõe a CNI e as federações estaduais das indústrias que reconhecem que o Brasil precisa de um ajuste fiscal crível e de uma agenda positiva que apresente os rumos futuros da economia brasileira. A gravidade da crise brasileira exige ação. No entanto, as medidas fiscais anunciadas são inadequadas e vão contribuir para acentuar a recessão e a falta de competitividade do setor produtivo brasileiro.
A sociedade e o setor produtivo nacional não podem pagar essa conta.
Antonio José de Moraes Souza Filho
Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Piauí.

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