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23 de julho de 2015

Crise econômica afeta até o mercado do sexo de luxo em Fortaleza

Elas escolheram o mercado do sexo como fonte de renda, mas só atendem clientes exclusivos: juízes, advogados, médicos ou engenheiros. “Atendo homens da classe média e da classe alta. Pessoal que, praticamente, já tem aquele dinheiro garantido”, conta a acompanhante de luxo Rachel.
Mesmo com os clientes ‘diferenciados’, como elas próprias denominam, a crise econômica afetou o mercado de prostituição de luxo. São tempos difíceis para Rachel. Formada em Direito, aos 23 anos, a jovem vê os sinais da crise por todos os lados e se viu obrigada a baixar o preço dos programas para atrair novos clientes. “Afetou não só o meu trabalho, como o do Brasil todo. Antes, eram valores fechados, sem muito choro para descontos, mas tive que baixar R$ 50 o valor. Agora, cobro R$ 250 uma hora e R$ 400 duas horas”, explica.
Apesar de oferecer serviços mais baratos, Rachel enfrenta hoje uma queda significativa no número de clientes: os três programas que fazia por dia caíram para apenas um. “O pior mês foi fevereiro, acho que em razão das férias, Carnaval, aumento das contas, das taxas, impostos para pagar, material escolar. Diminuiu muito o movimento”, admite.
O grande problema para ela é ainda não ter tantos clientes fixos, por estar há 1 ano e meio no ramo. As pessoas que nunca saíram com acompanhantes e têm vontade, segundo disse, acabam adiando e priorizando o que acham mais importante. O serviço, entretanto, ainda é rentável: a acompanhante consegue tirar cerca de R$ 7,5 mil por mês. Apenas o suficiente para conseguir pagar as contas em dia. A cearense sente na pele o aumento da tarifa de energia, do preço dos combustíveis, dos alimentos nos supermercados e até dos serviços de estética.
“Antes fazíamos reservas, melhorias no corpo, agora estou mantendo as contas e sobrevivendo. Já pensei em sair e trabalhar no Direito, mas vejo os amigos da área comentando que também está sendo difícil. Creio que, onde estou, ganharei melhor”.
Giovana, de 23 anos, escolheu outra saída: no lugar de baixar o preço (que permanece por R$ 300 a hora), oferece outras alternativas aos clientes. “Faço um tempo menor ou um serviço incompleto”. E ela acrescenta que, mesmo diante da crise, o padrão de vida como acompanhante chama atenção. “Quando eu era gerente de fast food, não tinha dinheiro nem para pagar o plano de saúde, hoje eu vivo melhor. Confesso que nenhum salário me surpreendeu tanto com o de acompanhante e com as regalias que tenho mesmo em tempos de crise”, diz.
Não existem números oficiais para mostrar o quanto as profissionais do mercado têm sido afetadas pela crise econômica, mas a reclamação é da maioria. Aos 26 anos, a cearense Juliana está no ramo há cinco e precisou aumentar o preço do programa em R$ 50 para conseguir pagar os anúncios nos sites, que disponibilizam foto e telefone. “Pago R$ 800 por mês para as publicações nos sites. O objetivo é atrair novos clientes, e atrai. Como tudo aumentou, eu aumentei o valor também”, assegura.
Mas ela garante que os clientes fixos e conhecidos acabam criando um vínculo e separando dinheiro para usufruir do serviço. “Ele já vem na intenção de te ver. Ele pensa em você e fica mais fácil de guardar o dinheiro pensando que vai usar para te ver”. Mesmo assim, muitos ainda pedem desconto, dando como argumento a crise econômica. “Eles dizem que não podem pagar os nossos valores, que não têm dinheiro. Para alguns, eu dou um desconto”.
Embora o mercado de luxo seja atraente, ela aproveita para explicar que está lutando para mudar de vida e passar em um concurso público. “Eu fico com um pouco de medo de abandonar o trabalho e não ter o mesmo padrão, mas estou estudando para concurso e pretendo sair quando passar”.Juliana recebe 15 clientes por semana, faturando cerca de R$ 15 mil por mês. Mas o cenário não foi bem assim no ano passado. A Copa do Mundo no Brasil parece ter dificultado o trabalho da jovem. “Ano passado eu não juntei nada, não ganhei dinheiro, viajei muito para fazer programa em outros estados, mas não consegui nada. Minhas amigas estavam reclamando demais, foi um período muito ruim”, lembra.
Já para Brenda, a situação está de vento e popa. Com 25 anos e atuando na área há quatro, ela faz três programas por dia, cobrando de R$ 200 a R$ 250 a hora. “Não baixei meu preço. Sempre coloco nessa faixa, que considero razoável para o padrão de Fortaleza”. Em geral, não existe um mês ruim, mas semanas ou dias complicados. Para ela, a profissão parece ser segura financeiramente, os clientes tradicionais vão atrás de companhia por quererem, exclusivamente, sexo. “Mesmo com a crise, eles não abrem mão dos nossos serviços. Sexo é como comida, é como você estar com fome. É prioridade”.
Fonte: Tribuna do Ceará

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