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25 de junho de 2015

Proteína pode gerar detecção precoce do câncer de pâncreas



Cientistas disseram nesta quarta-feira (24) ter identificado um marcador no sangue para câncer de pâncreas, aumentando as esperanças para um teste que permitiria o diagnóstico precoce desta doença mortal.

Uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos e da Europa disse que as pessoas com câncer de pâncreas possuem uma proteína chamada glipicano-1 (GPC1) em seu sangue.

A proteína está contida nos exossomas - pequenas bolsas contendo informação genética sob a forma de DNA e de RNA que são excretados por todos os tipos de células. Exossomos de células saudáveis não foram encontrados para conter a GPC1.

Tendo encontrado o marcador em camundongos, a equipe coletou amostras de sangue de seres humanos, e encontrou GPC1 no sangue de todos os 250 pacientes com câncer pancreático testados por eles, de acordo com os resultados do estudo publicado na revista "Nature".

Eles foram capazes de distinguir entre o sangue de pacientes com câncer e 120 voluntários saudáveis - "um biomarcador altamente confiável", disse à AFP o co-autor do estudo, Raghu Kalluri, professor de medicina da Universidade do Texas.

Não houve falsos positivos ou falsos negativos, segundo a equipe. E o teste mostrou níveis mais elevados da proteína em pessoas que estavam mais gravemente doentes, sugerindo que poderia ser também utilizado para monitorar a progressão da doença.

Mau prognóstico
O câncer de pâncreas tem um mau prognóstico de sobrevivência em grande parte porque muitas vezes passa despercebido por muito tempo, dando-lhe tempo para se espalhar.

De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, o câncer de pâncreas foi responsável por cerca de 3,7 por cento (173.827) das mortes por câncer em 2012, e 2,4 por cento (178.161) do total de casos de câncer.

A descoberta pode aumentar as esperanças de um método de detecção mais precoce no futuro - antes que os testes de imagem padrão e análise de tecidos possam detectar os sinais de câncer de pâncreas.

Mas enquanto descrevem os resultados como animadores, eles alertaram que é necessária mais investigação para confirmar o resultado.

"Os exossomos GPC1-positivos se mostraram presentes em pacientes sintomáticos, mas não há nenhuma evidência de que os exossomos GPC1-positivo estariam presentes antes de desenvolver sintomas", explicou Paul Pharoah, professor de epidemiologia do câncer da Universidade de Cambridge, em comentários realizados pelo Science Media Centre britânico.

Segundo Alastair Watson, da Universidade de East Anglia, o novo teste "é muito complexo para executar e muitos laboratórios de diagnóstico de rotina não vai ter o equipamento necessário".


Fonte: G1

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