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12 de fevereiro de 2015

Atrizes cearenses denunciam abuso sexual durante teste para suposto filme em Fortaleza

cucaVárias atrizes cearenses denunciaram umprodutor cultural e suposto diretor de cinema depois de terem sido vítimas de abuso sexual no Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cuca) da Barra do Ceará durante um teste de elenco para um filme. Um inquérito policial será instalado nos próximos dias no 33º Distrito Policial para investigar o caso. 
O suposto diretor do longa-metragem 'Barra do Ceará', Raphael Fyah, convidava as atrizes para o teste pelo Facebook e marcava o encontro em uma sala do Cuca Barra, o que dava mais segurança às mulheres. Caso passassem no teste, as atrizes receberiam R$ 3 mil de cachê, valor significativo para o cenário do teatro e cinema no Ceará. 

Teste suspeito
A cena do teste proposto pelo diretor e aluno do Cuca era de um estupro, já que o filme retrataria a realidade do tráfico e teria muitas cenas de sexo e violência. "Ele pediu que eu mesma levasse o figurino para o teste, que consistia numa saia um pouco curta e uma camiseta colada. Eu, pessoalmente, não estranhei a cena, tanto pelo motivo de não ter experiência com esses tipos de testes, como por achar que fosse algo profissional, que haveria uma equipe envolvida, e também, segundo ele, a sexualidade era muito presente no filme, então, parecia algo natural, estritamente profissional", disse uma das vítimas, que preferiu não se identificar.
A atriz e estudante estranhou a falta de câmeras e cinegrafistas para registrarem o teste "para uma avaliação mais precisa", mas o diretor afirmou que somente ele a avaliaria, pois era o roteirista, diretor e atuaria em algumas cenas. "Eu, por nunca ter feito um teste dessa natureza, imaginei que funcionasse dessa forma, apesar de achar estranho", comentou. Raphael disse, ainda que uma mulher chamada 'Lilian' também dirigiria o filme e iria ver o teste, mas depois informou que a mulher não iria poder comparecer devido a um problema no carro.
A candidata perguntou, ainda, pelo menos três vezes, se era realmente necessário tirar a calcinha por baixo da saia, como dizia a cena proposta, pois ela havia levado uma peça extra para colocar por cima e simular a ação, mas Raphael teria dito que os dois fariam a cena exatamente como estava proposto, sem a necessidade de colocar uma calcinha por cima, mas tudo de forma profissional.
Segundo o relato, a estudante teve que tirar blusa e calcinha e ficar apenas de saia, enquanto o suposto ator, também sem roupa, simulava o ato.
"Depois de tudo isso me senti usada, na verdade, ainda me sinto usada e sempre que me lembro de tudo isso me dá um enorme asco de saber que ele me tocou, e que eu ainda consenti achando que o que estava acontecendo era uma coisa profissional, mesmo eu estando desconfortável com a situação", comentou a atriz.
Defesa
O suspeito não respondeu às mensagens enviadas pelo Diário do Nordeste para a sua conta do Facebook, mas, em publicações recentes na rede social, esclareceu o acontecido. "Eu não tenho experiência nenhuma em produção audiovisual. Esta seria minha primeira produção. Mas devido a minha inexperiência e amadorismo. Acabei fazendo tudo errado!", disse em uma publicação.
"Meu filme será gravado sim, mas preciso de atores e atrizes para compor o elenco. Infelizmente, eu não tenho noção de como proceder em relação a contratos, casting, cachê, nada disso. Pedi o apoio ao Sated (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Ceará) e eles me darão todo o suporte e assessoria após o Carnaval. Peço desculpas por todo esse mal entendido. Não agi de má fé. Fui vítima da minha inexperiência. Mas agora, com o devido suporte, tudo fluirá com transparência e da maneira correta", escreveu o estudante.
Esclarecimento
Em nota, a Rede Cuca informou que Francisco Raphael da Costa Silva (Raphael Fyah) não era produtor da Rede Cuca, mas aluno do curso de Produção Cultural e Organização de Eventos. Raphael havia solicitado, como qualquer outro jovem pode fazer, um espaço no Cuca Barra para apoio da produção de seu filme, sem mencionar qualquer teste. A sala foi disponibilizada para que o estudante pudesse guardar os objetos e equipamentos do filme, mas não poderia ter sido utilizada para testes de elenco.
"Raphael foi suspenso das suas atividades discentes, não podendo participar de qualquer atividade da Rede Cuca enquanto os fatos estiverem sendo investigados. A Rede Cuca está colaborando com as investigações policiais e prestando apoio psicológico e jurídico às jovens", diz a nota da instituição.
Investigação
O delegado responsável pelo caso, Sidney Furtado, titular do 33º Distrito Policial, na Barra do Ceará, declarou que um inquérito será instalado nos próximos dias para investigar o caso, mas adiantou que um boletim de ocorrência relacionado a abuso sexual foi registrado nos últimos dias na unidade e que testemunhas já procuraram a Polícia para prestar depoimentos. 

Segundo o delegado, existem, ainda, Boletins de Ocorrência (BOs) registrados contra Raphael por estelionato. O estudante atuava como produtor em eventos culturais.



Fonte: Diário do Nordeste

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