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20 de janeiro de 2015

Técnicos da Semar concluem que falta de chuva é responsável pela seca na Lagoa do Portinho

                                                                           imagem Jornal da Parnaíba
Técnicos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos – SEMAR, concluíram o relatório que aponta a falta de chuva como responsável pela a atual situação de seca que atinge a Lagoa do Portinho. Uma lagoa costeira localizada entre os municípios de Parnaíba e Luis Correia que apresenta uma área de aproximadamente 5,62 km², estendendo-se para 9 km de comprimento no sentido Norte-Sul, com largura variável entre 0,2 e 1,6 km. Estende-se pela zona rural dos municípios de Parnaíba e Luís Correia abrangendo os povoados Carpina, Gameleira, Portinho, Cearazinho e Santo Antônio.

De acordo com o relatório, a causa maior da seca na Lagoa, assim como as demais de Sobradinho, Jaboti, Cumurupim e Mutuca é a falta de chuva na região, que enfrenta uma estiagem há mais de quatro anos. Para se ter uma ideia, em 2009 choveu cinco vezes mais do que a lagoa precisava para encher. Dados divulgados na época, através de trabalhos científicos pela Universidade Federal, apontava que no período de 2005 a 2009, o ano de 2009 foi o de maior pluviosidade, com o total de chuvas de no litoral com 1.638,6 mm. Porém, com a falta de chuvas, desde 2010 que a lagoa não registra seu nível normal de água e de acordo com a gerência de Meteorologia da SEMAR, nem mesmo um período chuvoso intenso em 2015, poderá devolver a lagoa o seu nível normal. A lagoa é abastecida pelo Rio Portinho e Marruás, assim como também, pelos riachos do Brandão, Braz, São Miguel e Mundo Novo. Com exceção do Rio Portinho, todos os demais são intermitentes, que nos período de estiagem apresentam o leito completamente seco.

“O parecer técnico aponta que o Rio Portinho contribui regularmente com a lagoa lançando suas águas nos períodos chuvosos e nas marés grandes que ocorrem normalmente nos meses de março, agosto e setembro. Isso por meio de um canal que passa pelo campo dunar e chega até o Rio Igarassu, onde deságua no oceano. Mas, infelizmente, esse canal encontra-se soterrado pelas massas de areia”, ressalta Ziza Carvalho que assumirá a SEMAR no próximo mês, mas que já está acompanhando de perto tudo o que se refere a Lagoa do Portinho.

No que se refere a represamento de riacho ou desvio de água, Ziza Carvalho disse que isso não existe, até porque todos estão enfrentando a estiagem e não existe água. A SEMAR já realizou fiscalização nas propriedades que ficam no entorno da lagoa para verificar se está havendo o desvio de água, conforme foi noticiado pela imprensa, mas nada foi constatado.

Nesta quarta-feira (21), a SEMAR participará de uma audiência pública na Câmara Municipal de Parnaíba, que irá abordar como principal tema o sobre o assoreamento na Lagoa do Portinho.

A Lagoa do Portinho é um importante cartão portal do litoral piauiense e seus usos preponderantes são o lazer, pesca tradicional e a agricultura. As atividades agrícolas são desenvolvidas em menor porte por dois empreendimentos situados na zona rural da lagoa, sendo um no povoado gameleira (Fazenda Bom Sucesso) e outro no povoado Carpina (Camarões Carpina). No entanto, em função da atual situação da lagoa, as atividades nesses empreendimentos estão paralisadas, assim como nas comunidades que ficam no entorno da lagoa que enfrentam sérios problemas de seca.

Em 2015, Ziza Carvalho enfatiza que uma outra prioridade de sua pasta será reativa o programa de recuperação ambiental no ambiente costeiro da região, onde inclui o sistema de contenção das dunas, mas que será necessário o apoio dos prefeitos da região. “Iremos trabalhar na criação de uma Unidade de Conservação, de modo a restringir o uso indevido do solo e de atividades econômicas na região. Além disso, estaremos realizando o levantamento Fitossociológico e Florístico das manchas de vegetação existentes no entorno da lagoa, além de outras atividades e ações importantes como, por exemplo, capacitação de gestores com ação de educação ambiental. Entendemos que devemos recuperar e preservar as lagoas, mas é preciso o apoio de todos, incluindo a sociedade que deve despertar para a conscientização ambiental”, acrescenta.


Fonte: GP1

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