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18 de dezembro de 2014

Polícia Federal confirma vazamento do tema da redação do Enem no Piauí

Estudante mostra imagem de suposto tema da prova de redação do Enem horas antes da prova. No detalhe, dados do arquivo indicam a hora do recebimento (Foto: Gilcilene Araújo/G1)
O delegado regional de Combate ao Crime Organizado da Superintendência da Polícia Federal (PF) no Piauí, Alexandre Uchôa, afirmou que houve o vazamento do tema da prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015. Segundo o delegado, a foto que um estudante piauiense recebeu horas antes da prova é verídica. O estudante gravou um vídeo mostrando o envelope que os candidatos recebem para guardar o celular lacrado após ter feito a prova. Ao abrir e ligar o aparelho, ele mostrou a imagem da página com o tema da redação sobre "Publicidade infantil no Brasil".
“Houve mesmo a questão da foto, ela é verídica, mas não sabemos de onde partiu e como vazou. A investigação está em curso e somente no final deste levantamento teremos estas informações”, declarou.
O delegado acrescentou que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, ainda não foi comunicado oficialmente sobre o andamento das investigações.Segundo ele, a instituição receberá o relatório do levantamento somente após a conclusão do inquérito.
Procurado pelo G1, o Inep informou que não tem confirmação da Polícia Federal sobre o encerramento das investigações relativas à denúncia de vazamento do tema da redação do Enem 2014. O Inep disse que tem trabalhado com a PF desde o início das investigações e qualquer candidato que tenha sido indevidamente beneficiado será punido de acordo com o edital.
Entenda o caso
A Polícia Federal abriu um inquérito policial para apurar a denuncia de que um estudante do Piauí teria recebido uma foto com tema da redação pelo aplicativo Whatsapp às 10h47 no dia 9 de novembro, ou seja, uma hora e 13 minutos antes do início da prova no horário local.
Antes de denunciar o caso, o estudante decidiu gravar um vídeo relatando ocorrido e compartilhá-lo na internet. No entanto, após começar a ser xingado pelas redes sociais pelo fato de ter exposto a suposta fraude, resolveu procurar a Polícia Federal e formalizar a denúncia. O aparelho do jovem foi apreendido para a realização de uma perícia.

Segundo o advogado do jovem, Luiz Henrique, o rapaz chegou a ser ameaçado após formalizar a denúncia na Polícia Federal. Logo após a formalização da denúncia, outros estudantes também afirmaram que receberam a mesma imagem.
No dia 13 de novembro, estudantes do Ceará também afirmaram terem recebido a imagem do vazamento da prova. O ministro da Educação, José Henrique Paim, disse que o MEC está "seguro de que o processo está sendo muito bem conduzido e ao longo desse período todo de aplicação da prova, não tivemos nenhum problema."
Paim afirmou que é preciso ter uma condução correta sobre o assunto. "A PF é a instituição que deve fazer esse processo. Ele já abriu o inquérito e está identificando o que ocorreu e em breve vamos ter o resultado dessa investigação."
No dia 14 de novembro, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), José Francisco Soares, descartou o cancelamento do Enem 2014 por causa de fraudes e suposto vazamento. "Está completamente fora de cogitação", disse. "Não há nada que nos leve a essa direção'', afirmou.
Segundo ele, o Inep decidirá os procedimentos quanto ao suposto vazamento após o fim da investigação da Polícia Federal do Piauí. ''No nosso caso temos de esperar essa investigação para, então, procedermos a ação [...]. O Enem não será cancelado. Estamos aqui diante de um fato completamente isolado que a policia está investigando [...]. A isonomia será garantida a partir das informações que a polícia nos fornecer. É perfeitamente possível encontrar maneiras de restaurar uma isonomia em um evento localizado'', disse Soares, na época.
Vazamento na edição 2011
Em 2011, uma escola privada de Fortaleza teve acesso antecipado a 16 questões do Enem, que foram compartilhadas entre os alunos. Os candidatos que tiveram acesso prévio tiveram as provas anuladas e refizeram o Enem. Na época, o Ministério Público Federal chegou a pedir a anulação da prova, mas a Justiça não deu decisão favorável ao procurador Oscar Costa Filho.


Fonte: G1

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